terça-feira, 11 de outubro de 2011

SOCIÓLOGO DIZ QUE GREVE NÃO DEVE PREJUDICAR POPULAÇÃO

Por Lúcio Carril, sociólogo e delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no Amazonas - Quero compartilhar uma reflexão sobre greve. Inicialmente, quero deixar claro que sou a favor, reconhecendo seu potencial como instrumento de luta dos trabalhadores. Mas vejo a necessidade de repensar seu conteúdo. Não é mais possível admitir que a greve tenha na população seu alvo de pressão, enquanto o patrão, seja ele público ou privado, disputa a opinião pública com o trabalhador. Não é possível usar velhos conteúdos como se o mundo não tivesse mudado e os aparelhos ideológicos continuassem os mesmos. Temos, hoje, meios de comunicação sofisticadíssimos, que possibilitam disputas desiguais, pois eles, os meios de comunicação, continuam privados e a mídia pública não dispõe de mecanismos de massa eficazes.


Os trabalhadores continuam fazendo greve como no início da era moderna, e o pior de tudo é que escolhem como alvo o povo que precisa de seus serviços. Há enormes diferenças em parar uma fábrica e parar serviço público. Na fábrica, o operário pressiona o lucro. No serviço público, o governo. Ora, na segunda situação o governo se utiliza da opinião pública para pressionar o fim da greve, e o movimento grevista dá uma ajudinha nessa estratégia. Quando os bancários fecham os bancos no fim do mês, impedindo os demais trabalhadores de receberem seus salários, colocam-se frontalmente contra a população e não frontalmente contra o banqueiro. O cidadão não é atendido pelo banqueiro, mas pelo bancário, que nesse momento lhe impede o acesso ao serviço. Por que o bancário não abre o banco apenas para fazer pagamento? Nessa hipótese o banqueiro não teria lucro e o serviço à população seria mantido.


Sobre a atual greve dos Correios. O prejuízo causado à população é atroz. Enquanto a categoria discute amento salarial com a empresa, o cidadão e a cidadã ficam privados dos serviços. A quem os trabalhadores querem atingir: a empresa e o governo? Ou a população? Ou conseguir sua finalidade de melhores condições de salários e de trabalho?...

Penso que os sindicatos e os movimentos sociais devem fazer uma reflexão sobre os mecanismos de luta no mundo em que vivemos. Usar instrumentos e conteúdos de três séculos atrás não é o melhor caminho para se conquistar melhores resultados. Ter a população e a solidariedade dos demais trabalhadores numa luta é fundamental para se alcançar vitória.

3 comentários:

  1. Até que em fim, apareceu alguém de peso prá falar contra essas greves absurdas que só prejudicam a população principaklmente os trabalhadores.

    Parabéns Lucio Carril pela cvoragem de dizxer a verdade!!!!

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  2. Concordo em gênero, número e grau com tudo, que o Lúcio Carril escreveu. Greve não pode prejudicar a população.

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  3. Os bancários, são lesos; é como o soci[ologo tá dizendo... eles em vez de buscar o apoiio da população, fazem é ficar contra e assim a população contra eles; são os lesos mesmo.

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