segunda-feira, 30 de agosto de 2010

PARA NÃO VIRAR RÉU EM PROCESSO, ARI MOUTINHO JOGA A CULPA EM NÉLSON AZÊDO

Por Leonardo Rocha – O ex-deputado estadual Nélson Azêdo deve estar indignado com o conselheiro do Tribunal de Contas do Amazonas, Ari Moutinho Júnior, filho do desembargador Ari Moutinho. Os dois eram unha e carne até Azêdo ter o mandato cassado, no início deste mês, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que, de quebra, ainda o tornou inelegível por oito anos.

A punição foi porque Azêdo e Ari Júnior foram flagrados tentando trocar tratamento dentário por voto. Também estava presente o filho de Azêdo, vereador Nélson Amazonas, que, assim como o pai, ficará sem poder se eleger para cargo político durante oito anos. Isso se não conseguirem reverter a situação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao qual já recorreram para sustar a decisão do TRE. O comportamento ilícito deles, gravado em vídeo, ficou conhecido nacionalmente como “Caso Prodente”, numa referência ao nome da clínica que Azêdo e o filho mantinham com dinheiro púbico para captar votos de eleitores carentes.

Dos três, Arizinho foi o único que o TRE não alcançou. As más línguas creditam essa incolumidade ao pai desembargador. Mas isso é outra história. O assunto aqui é o mau-caratismo de Arizinho, por sinal muito conhecido de todos.

Pois bem. Disse eu no primeiro parágrafo que Nélson Azedo “deve estar” indignado com Arizinho. Eu disse “deve estar” porque não conversei com Azêdo para saber como anda seu espírito depois do que Arizinho fez com ele.

O que ele fez? Para não ser incluído como réu no processo que atirou Azêdo e o filho no precipício, Arizinho mandou pôr em sua defesa escrita, entregue no último dia 26 ao TRE pelo advogado Lino Chíxaro, que ele só aceitou o convite de Azêdo para ir à Prodente porque ignorava a prática de “atos ilícitos” pelo então deputado. Na época, Arizinho disputava uma cadeira na Câmara Federal.

Arizinho, que de besta não tem nada (não é à toa que ele está milionário), sabia muito bem o que acontecia na Prodente. Tanto que ele, mesmo tendo consciência de que era ilegal, aceitou o convite de Azêdo para fazer campanha eleitoral lá dentro. Agora vem dizer, com a maior cara de pau do mundo, que desconhecia a finalidade da Prodente. Como se não bastasse, ainda diz, em outras palavras, que realmente a clínica era usada para a captação criminosa de votos. Tomo emprestado um dito popular para concluir meu comentário: “Quem tem um amigo desses não precisa de inimigo”.

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